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Sobre a Destruição da Paisagem Cultural de Sintra

Os plátanos centenários que bordejam a EN 247, entre a Malveira da Serra e a Vila de Sintra, passando por Colares, são um elemento marcante na Paisagem Cultural de Sintra, Património da Humanidade protegido pela UNESCO. Mas estão a ser abatidos, sob os mais variados pretextos, pela Infraestruturas de Portugal, sem que se conheça a necessária autorização por parte do ICNF.
O modo sistemático e continuado como este atentado ambiental e paisagístico tem vindo a ser cometido suscitou a reacção de um grande número de moradores, entre os quais muitos associados da Finis Terrae (Associação para a Defesa do Parque Natural Sintra-Cascais), que se mobilizaram para impedir a continuação dos abates e, particularmente, de um plátano que ainda restava numa curva de Galamares (fotos anexas – antes e depois). Apesar de dramaticamente decepada, esta árvore pode ser salva pelos manifestantes, que a rodearam de modo a impedir a aproximação dos trabalhadores contratados para a cortarem.
Foi organizado um piquete de protecção permanente desta árvore. Quando, presumivelmente na próxima 2ª feira, 05.01, os trabalhadores contratados para efectuar o corte comparecerem novamente no local, ser-lhes-á entregue um Embargo de Obra Nova Judicial – um procedimento cautelar de emergência que visa evitar um dano irreversível causado a uma propriedade individual ou colectiva, como é o caso da Paisagem Cultural, do qual foi dado conhecimento à GNR local. Em simultâneo com a ratificação deste procedimento no Tribunal de Sintra, a Finis Terrae pedirá uma providência cautelar para proteger todos os plátanos que bordejam a EN 247, seguindo-se um pedido à C.M.S. para proceder à sua classificação, conforme já acontece com um número restrito dos que se encontram junto à Adega Cooperativa de Colares.
Seguir-se-ão outras queixas, tanto para o Tribunal Europeu, por violação do convénio da Rede Natura 2000 por parte do estado português, como para tribunais portugueses novamente contra o estado português que, por intermédio de organismos na sua dependência ou por si tutelados (APA, CCDR, ICNF, PSML, Câmaras Municipais e GNR)  permitiu, com negligência dolosa, a destruição e a urbanização do Parque Natural Sintra-Cascais.

A colaboração dos media, que desde já agradecemos, é imprescindível para informar a população do ataque que está a ser levado a cabo (de forma particularmente rápida e intensa) ao seu património natural e paisagístico. Só a mobilização da opinião pública poderá salvar o pouco que ainda resta do que outrora foi o Parque Natural Sintra-Cascais.

Comunicado de Imprensa
3 de Janeiro 2026